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Dormir bem pode reduzir o risco de desenvolver 90 doenças, diz estudo
Dormir bem pode reduzir o risco de desenvolver 90 doenças, diz estudo
Por Administrador PrEv. Dilson Goulart de Mendonça
Publicado em 07/11/2026 11:03
SAÚDE
Dormir bem pode reduzir o risco

Dormir bem pode reduzir o risco de desenvolver 90 doenças, diz estudo

Análise de padrões de descanso de 95 mil pessoas relacionou maior duração das fases
REM e profunda do sono a menor risco de diferentes condições de saúde

Por Bruno Bucis, da Agência Einstein

Dormir bem é importante para a saúde, mas as características do sono também podem estar relacionadas a riscos. Um novo estudo identificou associações entre a duração de diferentes estágios do sono e o desenvolvimento de ao menos 90 condições.

Publicada em setembro na revista PLOS Medicine, a pesquisa analisou dados de 95,5 mil participantes do UK Biobank, um amplo banco de dados de saúde do Reino Unido. Os pesquisadores acompanharam os participantes por uma média de quase nove anos e relacionaram características do sono, estimadas por monitoramento eletrônico, ao risco de desenvolver diferentes doenças.

Os participantes que apresentaram maior duração das fases REM e profunda do sono tiveram menor risco de desenvolver condições como demência, insuficiência cardíaca e doença de Parkinson. Embora os resultados possam ter sido influenciados por fatores genéticos e de estilo de vida, as associações identificadas reforçam a importância de investigar a relação entre o sono e a saúde.

"Não há um mecanismo único demonstrado na pesquisa, uma resposta rápida como ‘tenho que aumentar o sono REM e não terei demência’. Sabemos que o sono REM participa de funções cerebrais importantes, mas sua preservação também pode ser um indicador de saúde geral”, explica a neurofisiologista e médica do sono Leticia Azevedo Soster, coordenadora da pós-graduação em Sono do Einstein Hospital Israelita. “Podemos considerar inclusive que o estudo indique a relação inversa: as alterações no sono REM podem indicar que algo precise ser investigado.”

A pesquisa utilizou acelerômetros de pulso, que são sensores que registram movimentos, para monitorar os hábitos dos participantes durante sete dias e noites consecutivos — e a partir daí inferiram dados sobre sono e vigília. Depois, o estudo os acompanhou por nove anos para saber que doenças seriam mais desenvolvidas pelos voluntários de acordo com seus padrões de sono, estimados por análise algorítmica. A equipe avaliou a duração total do sono, o tempo em cada estágio, os períodos acordados após adormecer e a irregularidade entre as noites.

A partir desses dados, os pesquisadores indicaram que a maior permanência em fases como a REM e a de sono profundo tinha uma associação geral com uma vida mais saudável. "Essas duas fases têm diferenças. O REM é marcado por movimentos rápidos dos olhos, intensa atividade cerebral e é importante para o processamento emocional e de memória procedural. Já o sono profundo, como é conhecida a fase 3 do sono não-REM, é associado a ondas cerebrais mais lentas, memória para fatos e à recuperação física", detalha Soster.

A pesquisa ainda aponta que o risco geral de doenças é menor em pessoas que dormem de seis a oito horas por noite. Aqueles que descansam menos de cinco horas apresentaram vulnerabilidades para 37 condições de saúde, incluindo quadros de ansiedade. "Dormir pouco prejudica atenção, memória, humor e desempenho já no curto prazo. Quando persistente, esse hábito está associado a maior risco de hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares", ressalta a neurofisiologista.

Uma limitação do trabalho é que os padrões de sono foram medidos durante apenas uma semana, no início da pesquisa. Assim, não é possível saber se os participantes mantiveram os mesmos hábitos ao longo de todo o período de acompanhamento. "Apesar das limitações, o que esse estudo deixa claro é que temos de cuidar do sono como um todo. Nesse caso, além da duração, importam também a continuidade, a regularidade e a presença de distúrbios, como apneia", conclui a médica do Einstein.

Fonte: Agência Einstein

 

 

 

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